A quem interessa a desinformação?

O que faz um pai, mãe, avô, avó, tio, tia ou qualquer parente de uma criança não levá-la para tomar vacina contra a pólio? É impressionante o baixo índice de imunização apresentado pelo governo
Mesmo com toda divulgação sobre a importância das vacinas, o descaso é gritante. Nem depoimentos de adultos que hoje sofrem as consequências de não terem sido vacinados na infância comovem.
A alienação lembra a histórica ‘revolta da vacina’, no comecinho do século passado, mais precisamente entre 10 e 16 de novembro de 1904, no Rio de Janeiro, então capital da jovem república.
Foi uma revolta resultante da falta de conhecimento sobre a necessidade de vacinação em massa contra a varíola. A maioria da população não aceitava a obrigatoriedade da medida.
Verdade que o levante popular foi causado também pela violência de uma reforma urbana que empurrou os pobres do centro da cidade para a periferia, em nome do saneamento público.
O médico sanitarista Oswaldo Cruz, hoje respeitado internacionalmente, não foi bem compreendido muito por falta de informação e de tato com uma questão tão séria.
Passado mais de um século, temos hoje significativa parcela de brasileiros que também renegam as vacinas, principalmente contra doenças que já haviam sido eliminadas do histórico nacional.
A poliomielite e o sarampo voltaram a gerar mais problemas para essa área já tão problemática que é a saúde pública, apesar das facilidades de informação bem diferentes daqueles idos.
A pequena dor e o breve choro das crianças no ato da vacina garantirão um futuro de vida melhor e o desaparecimento definitivo da paralisia infantil, tornando-a doença do passado.
Com respeito à opinião de muitos, podemos fazer uma analogia entre a desinformação sobre a importância da vacina e o apoio a um candidato a presidente do Brasil que de nada conhece.
Não conhece de economia, não conhece de educação e não sabe legislar, mesmo cumprindo o sétimo mandato na câmara federal. Diz ainda que não conhece de saúde pública.
Infelizmente, ainda existem, hoje, grupos que desconhecem a importância da vacina e que apoiam um candidato ignorante. Felizmente, são minoritários, embora expressivos.

 

Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindserv Guarujá

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

completar *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>