Ainda de forma tímida, a atual administração começa a ser cobrada por algo mais além da zeladoria

*Dr. Welinton Andrade Silva

Numa das entrevistas que fiz com o prefeito Válter Suman, do PSB, no meu programa de TV, coloquei que num momento inicial a população iria olhar positivamente para as ações do governo. Mesmo que fossem tímidas. Entretanto, alertei em seguida ao prefeito que, após isso, a cobrança iria aumentar.
Suman assumiu uma terra arrasada, resultado de uma década perdida dos dois mandatos da ex-prefeita Antonieta de Brito, do PMDB, à frente de Guarujá, onde não havia nem capinação e reinavam a arrogância, a prepotência e a incompetência de um governo que afundou a cidade.
A atual administração capinou, limpou, pintou, zelou… e acabou dando um visual melhor para a cidade. Longe ainda do que se espera, mas bem melhor do que a década perdida da ex-prefeita.
Acredito que entre o sexto e o sétimo mês de governo, o prefeito tenha tido a melhor avaliação junto à população. As ações iniciais do governo na saúde e zeladoria repercutiram bem. Entretanto, às vésperas da chegada do nono mês do ano, já se ouve na cidade e se leem nas redes sociais críticas do tipo “só se vê capinação e pintura de faixas”, conforme previmos na entrevista com o prefeito.
Bom deixar claro que com oito meses de governo, a administração Suman mostra claramente ser melhor que a de Antonieta. O prefeito é aberto ao diálogo, é trabalhador, esforçado, e seu secretariado tenta se espelhar nele, com poucas exceções.
Entretanto, é chegado o momento do atual governo manter a zeladoria e “avançar” em temas mais complexos, inclusive na política.
Mais do que capinar e zelar, a população espera que a administração, a partir de agora até o primeiro semestre de 2018, aprofunde discussões importantes para a cidade, tome decisões, disponibilize ao público o resultado de algum projeto novo, que tenha sido concebido por ela, e mostre, politicamente, a que veio.
Entre os temas a serem enfrentados estão o contrato (licitação) da Sabesp, continua, troca a empresa? A licitação do transporte público e, no caso de a Translitoral continuar, o contrato terá que ser rigoroso e atualizado… Isso para citar apenas dois temas espinhosos de pelo menos dez que esperam decisão e solução.
No campo político, se o prefeito errar (ou permanecer inerte) na articulação, possibilitará o crescimento de candidaturas não atreladas ao seu governo o que, no futuro, lhe custará caro, muito caro, numa eventual tentativa de reeleição.
Portanto, é chegado o momento de alguém próximo ao prefeito lhe dizer que não adianta só o trabalho pesado, o suor. É necessário também que se pense politicamente, por exemplo, nas eleições do ano que vem.
O cargo que o prefeito ocupa foi conquistado com voto, é político e, como tal, exige que se faça, além do trabalho do dia a dia, política. De preferência com “P” maiúsculo. Ou não?

*O advogado Welinton Andrade Silva é jornalista, formado em direito,

administração de empresas, Rádio e TV e agrimensura.

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