“Antonieta não vai deixar saudades”

prefeita_antonieta_e_vice_duino-pedro_rezende_650_large-600-x-557Com esta frase, uma munícipe resumiu o sentimento geral da população de Guarujá e de Vicente de Carvalho, ao avaliar o final melancólico de oito anos que de um governo que prometeu “colocar a cidade nos trilhos” em sua primeira campanha e na segunda que a cidade viveria os “quatro melhores anos”, mas, ao contrário, deixa como legado uma cidade endividada, suja, esburacada, mal iluminada, sem oportunidades de empregos, sem serviços públicos dignos, tomada por moradores de rua e com altos índices de assaltos e violência, envergonhando seus cidadãos e espantando os turistas e os investidores. Não bastasse este quadro desolador que vai entregar ao futuro prefeito, Maria Antonieta de Brito brindou os usuários do sucateado serviço de transporte público com um aumento de R$ 0,50 na passagem de ônibus. Um agradecimento à confiança que os eleitores depositaram nela, dando-lhe expressiva votação nas duas eleições em que se elegeu.

Retrospectiva
Numa breve retrospectiva, baseada apenas no que foi amplamente noticiado pela imprensa local e regional nos últimos oito anos, Antonieta desde o início do seu primeiro mandato, em 2009, mostrou-se uma administradora inábil e uma articuladora política incompetente. Basta lembrar que do seu grupo de apoio inicial formado, entre outros por João Moia, Averaldo Menezes, Cândido Garcia e o seu poderoso secretário de Ação Governamental, Ricardo Joaquim, depois assassinado, deixaram o governo. Vale lembrar que também os seus vices, Regina Mariano no primeiro mandato e Duíno Fernandes no segundo, tiveram sérios atritos com a prefeita por conta da sua personalidade centralizadora.
Em sua herança, Antonieta não vai deixar obras, pior que isso, a prefeita ainda paralisou as poucas que estavam em andamento, o que foi motivo de CEI na Câmara Municipal, como o conjunto habitacional do Parque da Montanha, hoje saqueado, e o Pier do Perequê, entre outras. Promessas de campanha foram muitas nas suas duas eleições, desde a ponte ligando Guarujá a Santos, que teve até inauguração de maquete e que depois virou túnel, até o sempre falado aeroporto metropolitano que há poucos dias teve seu edital cancelado, depois de muito dinheiro gasto em propaganda nas televisões regionais. Hoje sabemos que tanto oba-oba foi na verdade para fazer o seu candidato do PMDB, decolar nas últimas eleições, o que não aconteceu. Adilson de Jesus teve uma votação pífia, o que não poderia ser diferente já que a prefeita no meio do ano amargava uma rejeição superior a 90%, conforme as pesquisas.
Antonieta que culpava a administração anterior de Farid Madi quando assumiu da primeira vez, sai agora culpando a crise nacional e as dívidas precatórias, mas quando teve dinheiro, gastou mal, inchou a máquina pública com centenas de cargos comissionados numa prova cabal de desprestígio aos servidores concursados. Outro exemplo foi a verba gasta no Estádio Municipal para receber uma seleção de futebol de segunda linha, a Bósnia, que usou o local para treino só duas vezes e o “legado da Copa de 2014” hoje não serve nem para jogos de divisões inferiores por falta de equipamentos de segurança no estádio.
Os serviços públicos entraram em colapso, falta zeladoria na manutenção de vias, mato nas praças e falta de iluminação desde as praias até as principais avenidas, um dos motivos que aumentaram, em muito, o crescimento da criminalidade e a sensação de insegurança que domina os moradores e espanta os visitantes e veranistas. Sem uma ação efetiva de ações sociais, aumentou também, consideravelmente, o número de moradores de rua e pedintes.
Na Saúde, Antonieta deixa o governo com a UPA do Jardim Boa Esperança “fechada para reforma”, fechou a Maternidade Ana Parteira, há falta de médicos de diversas especialidades, equipamentos e remédios em praticamente todas as unidades. Para lembrar um triste recorde, pela secretaria da Saúde passaram nove secretários em oito anos.
A Educação foi marcada por escândalos, ora envolvendo irregularidades na compra da merenda escolar (quem não se lembra das melancias a R$ 30,00), ora na compra de aparelhos de ar-condicionado. Muitos alunos não receberam material escolar ou os uniformes, mas o contrato com a Unaerp, instituição da família da secretária de Educação, Priscilla Bonini, que só iria vencer em 2017, foi antecipado e renovado por mais 25 anos.
Outro contrato pendente é o da Translitoral, que já está no segundo contrato emergencial e a prefeitura empurra com a barriga a licitação para que a população possa ter um transporte decente, limpo, com ônibus novos e sem longas horas de espera.

O povo fala
“Já vai tarde, não fez nada pela cidade e ainda acabou com a nossa pouca alegria. Não tem mais quermesses, carnaval, nem desfile das escolas. A iluminação de Natal que era tão bonita também não tem mais. A gente não vê nem uma luzinha nas ruas.” (Deoclécio Cunha, portuário aposentado)
“O pior prefeito que Guarujá já teve. Meus dois filhos estão sem emprego e querem mudar daqui. A minha filha não arruma vaga na creche e tem que pagar alguém para cuidar do filho dela enquanto ela vai deixar currículo nas lojas. Se a gente for reclamar de tudo, ônibus, hospital, buracos na rua a gente vai ficar falando a tarde toda.” (Mércia Fonseca Ayres, comerciária)
“Não tenho o que falar de bom dela. Acho que ela vai embora rindo da cara da gente. Não fez nada e enganou todo mundo, até eu que pedi votos pra ela. Se tivesse feito alguma coisa só pra melhorar o atendimento na saúde já estava bom, mas nem isso.” (Zuleide Batista, diarista)
“Enganou todo mundo que votou nela. Moro na Vila Zilda e lá é tanto buraco que o ônibus nem vai até o final da avenida. Uma vergonha. Outro dia tinha uma ambulância do SAMU caída numa vala, imagina se o doente estivesse em estado muito grave. Morria lá mesmo.” ( Anacleto Pires, vigilante)
“Parabéns prefeita, a senhora deixou Guarujá pior que a Praia Grande. Só perde pra São Vicente. Até Bertioga está bem cuidada. Aqui é só mato na rua, tudo escuro, mendigos e drogados nas ruas do Centro. Uma vergonha! O pior é que se eu vender minha casa, não compro nada em lugar nenhum.” (Peter Ucher, empresário no ABC)

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