Após denúncias, professores estariam sendo pressionados pela direção da instituição

Sinpro (512 x 600)A partir de reclamações feitas a este jornal por alunos, pais de alunos, funcionários e professores do Colégio Don Domênico dando conta de que os aparelhos de ar-condicionado estavam sendo desligados nas salas de aula, que têm entre 40 e 45 alunos e não dispõem de ventiladores, e sala dos professores durante parte dos períodos matutinos e vespertinos, nossa reportagem entrou em contato com a coordenação da escola que confirmou que, de fato, os aparelhos só são ligados das 9:30h às 11:30h na parte da manhã e das 14:30h às 16:30h na parte da tarde por ordem da direção, segundo eles, a título de contenção de despesas. A iniciativa motivou que pais de alunos se organizassem para estudar a possibilidade de ingressar com ação no Ministério Público.
Mas tudo indica que não é só nas contas de luz que o colégio está reduzindo custos para economizar, recebemos também denúncias de professores, que não querem se identificar por motivos óbvios, que encargos trabalhistas como depósito do FGTS, pagamento de férias antecipado, atrasos no 13º salário e nos vales refeições seriam recorrentes e alvo de demandas junto à entidade representativa da categoria.

Sindicato
Em entrevista exclusiva, Walter Alves, presidente do Sindicato dos professores de Santos e Região (Sinpro Santos), confirma que desde 2011, quando a atual diretoria assumiu a direção do sindicato, tem procurado apurar as denúncias levadas pelos professores do Colégio e Faculdade Don Domênico, cuja mantenedora é a Associação Amparo aos Praianos de Guarujá, nessa ocasião a demanda era que a instituição não estava depositando o FGTS recolhido dos professores.
“Nessa época, nós não tínhamos ainda notícia de atraso de salário e pagamentos de 13º. De lá para cá, nós tomamos todas as medidas, desde tentativas de negociação, parcelamento de FGTS, o que não sabemos se foi feito junto à Caixa Econômica Federal, e em 2013, 2014 a escola começou a atrasar os pagamentos de salário e não pagava as férias antecipadamente como manda a legislação, o que nos levou a ingressar com uma ação em 2016, reivindicando essas questões. Ganhamos esta ação e estamos aguardando a execução deste processo, o que vai significar o pagamento imediato do FGTS e das férias em dobro”.
“Além disso, em fevereiro deste ano, nós fizemos uma assembleia com os professores no dia 3, onde convocamos todos os professores da faculdade e do colégio para discutir este processo, as demais irregularidades cometidas pela escola e a possibilidade, inclusive de se fazer uma greve, como forma de pressionar a instituição para que ela regulariza-se o quanto antes esta situação. Os professores optaram pela continuidade do processo e não realização da greve. O sindicato está fazendo a parte dele, a gente não tem poder de polícia para obrigar a empresa a cumprir com aquilo que é obrigação dela. Eu gostaria de ter esse poder, mas não tenho.”

Pressão
“Em relação ao 13º salário, a informação que nós temos é que alguns professores receberam, mas isso não ficou esclarecido na assembleia. Sabemos que têm professores que têm medo e são pressionados pela direção a não fazer denúncias. A gente já teve algumas experiências de professores que disseram na Justiça do Trabalho que foram coagidos pelos patrões.”
“Eu não estou na pele dos professores, eu sei que hoje a situação está difícil, o desemprego é muito grande, a crise pela qual o país está passando é uma crise econômica que impede muitas vezes de que se tomem determinadas atitudes que possam comprometer a sua vida particular, eu entendo tudo isso, mas há formas de se resolver, entre elas, principalmente a mobilização, a organização da categoria, agora se o medo ficar acima disso, daqui a pouco, hoje é o 13º, ontem foi o FGTS, amanhã vai ser o salário.”
Para finalizar, Walter afirma que, se forem notificadas outras irregularidades, vai ingressar novamente com ação coletiva, mas diante de um impasse como esse, onde as negociações não prosperam, a saída é a mobilização, a greve. “É a única maneira de dar resposta efetiva a uma medida autoritária como essa por parte da instituição.”

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