Brumadinho, o rastro de destruição que se repete

Mais uma vez o Brasil vê um “rio de lama” preencher o lugar das águas e do solo natural. E, novamente, chora. Foi outro dia mesmo que uma comunidade inteira foi levada pelos rejeitos de minério de uma barragem da mesma mineradora que se rompeu. Não estamos falando de Brumadinho. Ainda não. Mas de Bento Gonçalves, distrito de Mariana, também em Minas Gerais, que viu o mesmo sofrimento há três anos.
Agora, com mais esse desastre, a Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora do mundo, que vale no mercado financeiro mais de US$ 300 bilhões, conseguiu mostrar que um monte de fatores, somados à falta de compromisso com a vida humana, acabam em um rastro de destruição e mortes.
Tragédia ambiental é furacão, tsunami. Brumadinho e Mariana, não. E nem acidente. Ambos poderiam ter sido evitados com manutenção, investimentos em itens de segurança e fiscalização. Foi crime mesmo. A empresa é reincidente e os responsáveis precisam ser punidos com severidade. Tanto é que as vítimas de Mariana ainda clamam por justiça e lutam contra as manobras judiciais da direção da companhia para receber suas indenizações.
“Desde o rompimento de Fundão, nada foi feito para evitar que esse tipo de desastre aconteça”, afirmou o procurador Carlos Eduardo Ferreira Pinto, chefe da força-tarefa que investigou o rompimento em 2015 da barragem em Mariana, ao tomar conhecimento do novo desastre. Tudo continuou funcionando perfeitamente no que se refere à companhia. Pelo contrário, a Vale recuperou rapidamente o valor de mercado depois da tragédia.
Ou seja, o lucro das grandes empresas continuam operando em detrimento de vidas. Dados divulgados pelas próprias empresas, mostram que a companhia cresceu desde 2015.
Além da busca por lucro, apesar de ter uma boa legislação ambiental, falta fiscalização. A falha e a impunidade levam a novas tragédias, já alertam especialistas.
A legislação que temos é suficiente. O problema não está nela, mas em fazer com que ela seja aplicada na prática, porque faltam investimentos nos órgãos de controle. Um segundo acidente em tão pouco tempo mostra que a fiscalização é deficiente e não está conseguindo evitar vazamentos.
Enfim, o Brasil chora por Brumadinho – um dos maiores crimes ambientais do mundo e que, lamentavelmente, coloca o país na lista dos que mais não conseguem evitar essas grandes tragédias. (Via: Gazetanews)

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