Caos nas travessias

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Houve nítida piora nos serviços de travessia de balsas entre Guarujá e Santos nos últimos meses. Eles sempre apresentaram problemas, mas não tinham a continuidade que agora é registrada. Quase diariamente há reclamações de usuários, obrigados a perder longo tempo em filas. Não é raro que motoristas sejam obrigados a aguardar mais de 40 minutos tanto do lado de Guarujá ou de Santos para realizar a travessia.
As dificuldades são constantes, e atingem também as barcas que fazem o transporte de passageiros entre Vicente de Carvalho e o Centro de Santos, em ligação fundamental para milhares de pessoas. As explicações da Dersa, estatal que administra o serviço, são sempre que o número de embarcações operando é inferior ao necessário: problemas mecânicos e de manutenção se tornaram rotina diária.
O atual quadro, que se aproxima do caos, traz prejuízos àqueles que precisam realizar a travessia principalmente a trabalho, e não há perspectivas de solução em prazo curto. Isso é grave, e exige atenção máxima das autoridades. Mas é preciso ressaltar que a deterioração do serviço de balsas está associada ao processo de esvaziamento da Dersa, em curso desde o início da atual administração do governador João Doria (PSDB).
Na semana passada, Doria encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado projeto de lei para extinguir a empresa. A decisão demorou: afinal passaram-se mais de cinco meses de governo para que a iniciativa fosse tomada. O mais grave, porém, é que a Dersa parece ter perdido totalmente sua capacidade de ação, que se traduz no péssimo serviço que é prestado nas travessias marítimas.
Preocupa muito o futuro imediato. Se agora, fora da temporada, os atrasos e filas se multiplicam, pode-se imaginar o que vai acontecer nos períodos de férias, como a que acontecerá agora em julho, e principalmente no verão, no começo do próximo ano. O governo estadual anuncia que já iniciou estudos para a concessão do serviço de balsas à iniciativa privada, mas o processo não é simples nem tão rápido.
É fundamental, portanto, que as travessias não sejam abandonadas. O serviço, a cargo da Dersa, precisa ser mantido com padrão de qualidade, havendo respeito aos usuários. A nota divulgada nesta semana, justificando problemas, não traz otimismo, embora a empresa informe que “tem mantido dedicação integral no sentido de melhorar os serviços prestados aos usuários nas travessias litorâneas do Estado e, diante dessa realidade, está investindo na manutenção das embarcações”.
Não é o que se vê. Dia após dia a situação piora, e as perspectivas não são positivas. Extinguir a Dersa não significa abandoná-la e deixar de lado os serviços por ela operados: ao contrário, deve haver o máximo empenho em mantê-los funcionando normalmente. (Via AT)

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