Coleta Seletiva

Um estudo sobre o nível de engajamento da população e, destacadamente, do poder público para com a coleta seletiva de lixo realizado bienalmente em âmbito nacional e divulgado ano passado pela Organização Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), de São Paulo, traz dados e análises interessantes. A coleta seletiva dos resíduos sólidos é feita pela própria Prefeitura em 51% das cidades pesquisadas; Empresas particulares são contratadas para executar a coleta em 67%; E praticamente metade (44%) apoia ou mantém cooperativas de catadores como agentes executores da coleta seletiva municipal com maquinários, galpões de triagem, ajudas de custos com água e energia elétrica, caminhões, combustível, capacitações e investimento em divulgação e educação ambiental. Constata, a partir de um acompanhamento sistemático desde 1994, que os projetos que deram certo são aqueles que combinam modelos diferentes de coleta. Unem entregas voluntárias, postos coleta, cooperativas de reciclagem e recolhimento porta-a-porta. Parte dessas iniciativas depende da motivação individual. Outra está ligada às movimentações coletivas, como é o caso de condomínios, e uma terceira funciona com ações do poder público municipal. A estatística confirma o que se vê na prática. Existe um descaso generalizado e não se pode restringi-lo às classes sociais menos favorecidas. Basta ver o lixo de residências e prédios de classe média e classe média alta em bairros nobres, para constatar a falta de cuidado com o descarte de resíduos sólidos domésticos. É raro se encontrar a separação de lixos orgânico ou inorgânico ou de acordo com material plástico, de papel ou metal. Quando existe, e se estiver bem acondicionado, gera até estranhamento. Como solução, a pesquisa aponta a ampliação da coleta porta a porta conduzida por gestores públicos. Atualmente somente 30% fazem esse tipo de operação. Juntando todos os modelos de coleta, no total 82% dos 5.570 municípios do país sequer começaram a coleta seletiva de lixo. A Política Nacional dos Resíduos Sólidos é uma lei aprovada em 2010. Sabe-se que promover a coleta seletiva custa caro, cerca de três vezes mais que a tradicional, mas essa é uma despesa que precisa ser pesada numa balança de precisão. O lixo está diretamente vinculado ao meio ambiente, à qualidade do solo, à economia e aos problemas de saúde pública.

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