Fenômeno raro provoca recuo no nível do mar

Fortaleza da Barra_ maré baixa_ 15_08_2017 (600 x 449)Ventos de 50 quilômetros por hora soprando do nordeste e paralelos à costa provocaram um fenômeno incomum: o recuo de até 90 centímetros no nível do mar na região. A rara conjunção de fatores climáticos provocou imagens curiosas, como a aparição de faixa de areia na Ponta da Praia, em Santos, e na Fortaleza da Barra Grande, em Guarujá.
Também fez com que os trapiches ficassem em terra firme, deixando ilhados moradores de comunidades da baía. Esse foi o menor registro da maré desde 2012, quando Praticagem de São Paulo iniciou medição em série histórica. Na Ponta da Praia, a situação ocorreu no final de semana e teve reflexos até a tarde de terça-feira (15).
O fenômeno teve início na sexta-feira passada, quando praias do Uruguai registraram recuo do mar em cerca de dez metros da costa. E subiu em direção ao Litoral brasileiro, com a retração da maré em 50 metros, conforme medição do marégrafo de Itajaí (SC).
Segundo o biólogo Renan Braga Ribeiro, do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) da Universidade Santa Cecília (Unisanta), o recuo médio do mar ocorre diversas vezes ao ano, mas em menor intensidade. “Normalmente, a redução no nível médio do mar é de 10 a 20 centímetros. No final de semana, a redução foi entre 70 e 90 centímetros”.
A oceanógrafa Rossio Camaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que o fenômeno é conhecido por maré seca ou Transporte de Ekman – nome derivado do pesquisador sueco Vagn Walfrid Ekman (1874-1954), que fez os primeiros estudos sobre a movimentação da maré, no início do século passado.
Ele acontece quando as águas do oceano são empurradas para longe da costa pelo vento durante a chegada de uma frente fria. A redução no nível do mar é temporária e se ameniza à medida que o vendaval perde força.
“É um fenômeno raro de acontecer no Brasil, pois depende de alguns fatores. Como a direção do vento soprando paralelo à costa e por desses ventos persistirem por vários dias”, afirma. Ela descarta a hipótese de tsunamis. Com informações e foto de A Tribuna)

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