“Gerir uma prefeitura não é só gerir recursos, é gerir competências”

Valter 02 (600 x 450)Nosso entrevistado desta semana é o professor Valter Batista de Souza, pré-candidato a prefeito pela Rede Sustentabilidade. Nascido e criado em Guarujá, atua no magistério de 1988 e foi diretor e secretário de Turismo entre 2005 e 2008.

Momento

“A cidade está passando por um momento muito difícil por conta de equívocos de gestão, na área da Saúde, da Educação, na manutenção de todo o sistema viário, no cuidado com a limpeza de canais e na manutenção das ruas que já tem asfalto e isso acaba criando uma série de problemas, por exemplo, no transporte público. A gente vê muita reclamação dos motoristas dos ônibus que não conseguem cumprir o horário, por conta dessa falta de manutenção e isso também vai derrubando a autoestima das pessoas. Guarujá é um local turístico, precisa ter um visual adequado para quem paga pela cidade, quem vem para os hotéis, quem usa apartamentos de locação, ou até mesmo quem vem apenas nos finais de semana e feriados. É caro para manter um imóvel numa cidade que tem o IPTU entre os mais caros do Brasil e chegar na cidade e ver como ela está maltratada. Isso gera uma desesperança muito grande nas pessoas.”

Habitação

“O problema de Guarujá é histórico. A cidade atraiu muita gente sem estar preparada para isso, desde o início da década de 60-70 com o boom imobiliário. A mão de obra, que veio de fora, aumentou muito a população e não houve planejamento para que essas pessoas pudessem se fixar na cidade. Houve uma inércia do poder público, uma incapacidade de gestão, porque quando você tem recursos para gerir, você tem que ter capacidade técnica e política, não só administrativa. Capacidade política para dar conta de liberar verbas, conseguir mais recursos, porque às vezes o município não tem, ou parte do que tem é comprometido com no custeio da área da Saúde e da Educação que compromete muito da receita e depois acaba faltando para as obras, então o município tem que buscar emendas parlamentares, apoio de ministérios e para isso é preciso essa competência política ecompetência técnica para fazer o projeto adequado, não errar no custo da obra, conseguir manter a obra em andamento no prazo correto para não perder dinheiro. A administração atual errou muito. O conjunto habitacional Parque da Montanha é um símbolo da ineficácia que a gente vê na gestão pública nesse momento, então não é questão política é uma questão técnica também.”

Educação

“Na Educação temos um quadro que aponta para uma ideia que tudo vai bem, porque a propaganda que se faz é muito positiva, mas o que é visto na sala de aula é uma tentativa de manipular os resultados do IDEB, pois ele melhora quando se tem menos reprovações, então a ordem da  SEDUC é promover o máximo possível de alunos à revelia dos professores, o que é uma enganação. Esse quadro precisa mudar, o que se tem hoje é uma tentativa de manipular dados para passar a ideia de que vai tudo bem. Não entregam uniformes escolares e nem material no tempo correto. Não perguntam o que os professores precisam, e quando é dito o que se precisa, não vem. A Educação vai muito mal e tá sendo gerenciada de forma ineficiente  porque a prefeita viaja demais e a secretária também. Não tem como resolver o problema da Educação de uma cidade com uma secretária que cuidar da sua universidade, de uma entidade  nacional, e ainda quer dar conta de creches e escolas do município sem estar presente.”

Segurança

“Vivemos em um cenário de insegurança que é reflexo da falta de crescimento econômico. A crise econômica nacional afeta ainda mais o Guarujá, porque a gente tem uma problemática que envolve inclusive a Educação, com falta de qualificação de mão de obra. A prefeitura fechou salas de aula para adultos, descontinuou cursos do Senai no 1º de Maio e isso reflete na Segurança, muita gente hoje tá sem ter o que fazer porque não tem lugar para estudar. A iluminação pública é muito ruim, faltam homens na Polícia Militar  e falta inserir a Guarda Municipal num plano de trabalho integrado com as polícias militar e civil. O aumento dos casos de violência na cidade são reflexo de uma política pública que tira recursos da área social e não apenas na questão da polícia.

Saúde

“A Saúde pública é outro caso gravíssimo de má gestão. A cidade trocou seis vezes de secretário e isso gerou um problema de continuidade. Foram construídas unidades de Saúde, mas não se tem recursos humanos porque o custeio muito alto, faltou planejamento. Faltam médicos, foi feito concurso mas não se preencheram as vagas porque eles trabalham sem segurança, sem apoio, sem respaldo, sem gerenciamento adequando nos postos. As pessoas que ocupam cargos de chefia não possuem políticas a cumprir . Penso que a primeira coisa que deve ser feita para resolver isso é ter um planejamento adequado, usando melhor os recursos com  melhor o uso das unidades. É muito dinheiro mal administrado, porque o custeio da maquina é muito alto e quando a prefeitura investe, investe errado.”

Participação

“É essencial trazer a população para dentro do gerenciamento de problemas, ou seja, tornar a gestão do municipio feita pelo próprio munícipe. Temos que diminuir o número de secretarias e colocar nos cargos chaves da cidade, servidores públicos. Penso que temos condições de construir uma boa cidade com gestão de pessoas daqui. Convidar as pessoas que tanto tem opinião e críticas, que não são ouvidas, para compor o governo, não só com cargos, mas com apoio para que o governo dê certo, porque se a administração não fizer um pacto para as coisas darem certo, a cidade não vai conseguir evoluir.

Expectativa

“As pessoas podem esperar de mim muito trabalho. Me preparei a vida inteira para ser um bom profissional. Como professor eu sei que sou um excelente profissional, em virtude da minha dedicação, tenho erros e falhas, como todas as pessoas, mas sempre tento corrigir os meus defeitos ouvindo, aprendendo, tentando melhorar as minhas práticas. Eu me preparei pra ser gestor e  para mim profissionalismo é tudo. Serei um profissional extremamente dedicado para a causa da cidade. Gerir uma prefeitura é gerir pessoas, é gerir comportamentos, é gerir capacidades, é gerir competências. Gerir uma prefeitura não é só gerir dinheiro, é gerir a energia que as pessoas têm para o bem da cidade. Serei um gestor muito comprometido com isso, em fazer com que as pessoas deem o melhor delas, para que a cidade seja o melhor que ela pode ser.”

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