Golpe ou revolução?

Completamos 54 anos de um importante acontecimento da nossa história
contemporânea, que foi o início do governo militar. Como muitos querem seu retorno, faço aqui algumas considerações sobre o polêmico assunto.
Cito a educadora Terezinha Rios, que afirma ser mais importante o caminho para alcançar algo do que propriamente alcançá-lo. Quando você usa o caminho da verdade, da transparência, fica muito mais fácil concluir o caminho. Quando mente, o resultado é quase sempre negativo.
Afirmo isso para responder a primeira pergunta do título deste texto. A história tradicional data o início da ditadura em 31 de março, mas essa não é a verdade. Até 1° de abril, João Goulart ainda era presidente do Brasil, quando foi de Brasília para Porto Alegre.
No dia 2 de abril, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, assumiu interinamente a presidência da República. Portanto, o golpe aconteceu em abril, não em março. Como 1º é o dia da mentira, os defensores do governo dataram o inicio do fato histórico em 31 de março.
Para definir se foi golpe ou revolução, vamos aos conceitos: revolução é quando ocorre uma grande transformação na estrutura da sociedade, alterando a hierarquia de poder, mudando o sistema econômico, político e social. Golpe é quando ocorre simplesmente a troca de grupos políticos no comando.
Em 1° de abril, foi retirado do cargo de presidente do Brasil, João Goulart, quando provisoriamente assumiu Ranieri Mazzilli e, logo depois, o general
Humberto de Alencar Castelo Branco. Como foi mantida a estrutura social, política e econômica, o que ocorreu em 1° de abril de 1964 foi, portanto, um golpe civil, midiático e militar.
Felizmente, a história não é uma ciência exata e pode sofrer interpretações várias. Também felizmente, não existe uma única verdade.
Os fatos históricos estão aí para ser analisados. E vai do interesse de cada um buscar a sua verdade. O importante é deixar de ser manipulado por uma ideologia que tem como função manter a sociedade como está.

 

Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em Sociologia e diretor financeiro do Sindserv Guarujá

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