“Graças a Deus e ao motorista que controlou o ônibus, não aconteceu coisa pior”

ônibus_pág3 copy (600 x 384)Venâncio copy (598 x 600)“Primeiramente quero agradecer a Deus pelo livramento de hoje, o ônibus que eu estava vindo embora da Linha 55 quase caiu no canal da Unaerp. Graças a Deus e ao motorista que conseguiu controlar o ônibus por causa da roda traseira esquerda que saiu no meio da avenida. Graças a Deus ninguém ficou ferido, apesar dos vidros das janelas que se quebraram terem caído em cima das pessoas. Só acho que a Translitoral tem que ver os ônibus que coloca na rua sem passar por manutenção, pois o pneu estava careca e ainda por cima saiu do eixo. Isso é um absurdo! A passagem aumenta e a condição dos ônibus está cada vez pior, isso sim”
Este é o relato postado no Facebook de uma passageira que estava no coletivo da Translitoral que perdeu a roda traseira na Avenida Atlântica, próximo à Avenida Plínio de Carvalho Pinto, sentido Praia da Enseada, na última segunda-feira (30). Em sucessivas reportagens, ao longo dos anos, o jornal O Itapema vem denunciando os péssimos serviços prestados à nossa população pela empresa concessionária do transporte coletivo em Guarujá. Falta de abrigos, ônibus velhos e sem manutenção, atrasos constantes, falta de climatização têm sido temas recorrentes e sem solução. Nesta edição conversamos com a prefeitura, com representante de órgão de defesa do consumidor e com um especialista no tema sobre o acidente, valor das tarifas e o contrato da Translitoral.

Prefeitura
Ouvido por nossa reportagem, Luis Claudio Venâncio Alves, secretário de Defesa e Convivência social, informou que já foi determinado à Diretoria de Trânsito que fizesse uma fiscalização, bastante detalhada sobre o acidente: “Até o final de semana deveremos tem um relatório a respeito do estado do ônibus, sua manutenção, a idade do veículo e se forem comprovadas irregularidades, com certeza com base no contrato, que é uma autorização que existe hoje, a empresa será multada, Temos que aguardar essa apuração da Ditran para tomar uma decisão baseada na lei”.

Situação Caótica
“Infelizmente pegamos uma situação caótica na Diretoria de Trânsito do município, existe sim uma fiscalização, mas o atual diretor, Marco Aurélio dos Santos Pinho, está realizando uma reestruturação administrativa para poder realmente exercer melhor essas fiscalização que a população merece no Guarujá, explica Venâncio. “Nesses primeiros 30 dias a fiscalização foi cotidiana, porém ainda não é no nível que a atual administração quer que ocorra, queremos algo mais sério, checando a manutenção dos veículos, limpeza, horários e fazer cumprir o contrato, é bastante evidente que vivemos uma situação temerária no transporte público da cidade, pois a empresa está atuando com uma autorização, que é um acordo por causa do fim do contrato que não pode ser renovado.

Tarifa
Ainda conforme o secretário, O prefeito não concorda com o valor atual da passagem, assim como eu também não concordo com a forma que foi feita, então estamos levantando as justificativas, para esse aumento e após isso vamos tomar uma decisão que não seja desfavorável para os usuários. Nossa vontade é baixar esse valor para atender à população, porém isso tem que ser bem estudado”.

Nova licitação
Uma das condições para que se faça uma nova licitação para a concessão do transporte urbano é a conclusão do Plano de Mobilidade Urbana, que está a cargo de uma empresa de consultoria contratada pela gestão anterior e que está com o pagamento bloqueado até a conclusão do trabalho.
“O mais importante é agir corretamente e chegar a um processo e licitação honesta, incluindo as gratuidades necessárias, como o passe livre estudantil que é um compromisso dessa gestão, para não ficar situação na mão da empresa atual. Nenhuma empresa vai ter moleza, queremos o benefício do cidadão. Nenhuma empresa pode ser dona do transporte público, a empresa tem que fazer o que o governo determinar e o que queremos é um transporte público humanizado, decente e digno, conclui Venâncio.

Claudio Rodrigues copy (600 x 600)Claudio Rodrigues
Conversamos também com o arquiteto e urbanista Cláudio Paes Rodrigues, atualmente secretário adjunto da secretaria de Infraestrutura e Obras e um dos idealizadores da Rede de Transporte de Guarujá (RTG)
“Primeiramente como usuário do transporte coletivo, ando de ônibus todos os dias, um dado que me parece preocupante é a idade dos ônibus. Pelo contrato vigente a idade máxima dos coletivos não pode ultrapassar a idade de sete anos, o ônibus 453 envolvido no acidente deve ter de 11 à 12 anos. Pela avaliação que temos, 53 veículos da frota de 163 estão com a idade vencida. 26 ônibus entre sete e oito anos e 26 ônibus entre 8 e 9 anos além do veículo acidentado, prejudicando a qualidade do transporte coletivo, explica Cláudio.

Aumento
“Pela qualidade do serviço prestado pela empresa, ninguém pode concordar com o aumento autorizado pela prefeitura no final do ano, apesar da passagem estar a muito tempo sem aumento, perto de 23 meses, observamos que na última reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da RDG, o parecer da comissão foi contrário ao aumento, estranhamente 15 dias depois teve uma reunião extraordinária no dia 14 de dezembro essa comissão mudou o parecer, e foi favorável ao reajuste de R$ 3,20 para R$ 3,70. Em minha opinião, essa mudança repentina requer uma substituição dos membros dessa comissão que deve ser reavaliada daqui para frente”, conclui o arquiteto.

Claudio_Fernando copy (598 x 600)Condecon
“O Conselho Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor vai solicitar à Translitoral, bem como a Diretoria de Trânsito de Guarujá, a relação dos ônibus que operam no município bem como a idade desses veículos e avaliar se a legislação federal que proíbe a circulação de veículos com mais de sete anos de uso está sendo cumprida e se isso não está gerando prejuízos ao consumidor que usa esses coletivos. Assim que o Condecon tiver acesso a esses documentos e for constatado mais que a idade permitida, como já é o caso do 453 que caiu a roda e gerou um acidente, machucando pessoas e gerando risco de vida, vamos entrar com representação junto ao Ministério Público exigindo que o contrato seja cumprido bem como as leis federais, para que possamos ter o serviço de qualidade pelo qual o consumidor paga”, afirma o presidente do Condecon, Cláudio Fernando de Aguiar.

Translitoral
Por meio de nota da assessoria de imprensa, a Translitoral afirmou que apura as causas do ocorrido e ressalta também que a linha passa por locais com sistema viário sem condições satisfatórias para o tráfego de veículos.

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