Guarujá e os fogos

Antes de mais nada, espero que todos tenham tido uma boa passagem de ano e entrado em 2018 com o “pé direito”.
Como no ano passado, estive no Guarujá para o Réveillon. Guarujá é Guarujá, sempre bonita e agradável. Instalado em Pitangueiras, com Violeta e minhas cunhadas Antonia e Teresa tive a oportunidade de assistir a uma espetacular queima de fogos. Cinco balsas, atracadas a uma distância prudente da praia, proporcionaram alguns minutos do mais puro encantamento.
Pois bem, no dia seguinte, na fila da padaria, porque nessas ocasiões tem fila pra tudo, ouvi vários comentários sobre o evento da noite. Uns, maravilhados com o show pirotécnico, exaltavam a iniciativa do prefeito, que não mediu esforços para proporcionar o magnífico espetáculo. Outros, dizendo que era um absurdo! Que aquilo era queimar dinheiro, um dinheiro tão escasso em vários setores. Falavam de saúde, segurança, transporte, etc.
Não me meti na conversa. Fiquei apenas ouvindo os argumentos que cada um colocava para defender sua tese. Cheguei à conclusão que o prefeito tem a mais absoluta razão! Guarujá é uma cidade turística, com população estimada em mais de 315 milhões de habitantes, recebeu mais de um milhão de turistas para o Natal e Réveillon! Consegue você, meu leitor, imaginar o que isso significa aos cofres do município? A grande força motriz do Guarujá é o turismo. É ele que alimenta todos os setores do comércio e de serviços.
O prefeito pensou bem! Não só fez um agrado, uma espécie de agradecimento ao povo que foi levar dinheiro para gastar lá, como garantiu a sua volta no próximo final de ano! Não conheço o alcaide, não sei sequer o seu nome. Só sei que seu cuidado com os turistas não se resume a fogos de artifício! A cidade está limpa e bem cuidada! As praias que receberam centenas de milhares de pessoas na noite anterior, amanheceram o dia absolutamente limpas, como se ninguém tivesse andado por elas! Como sabemos que não existe mágica para isso, podemos avaliar o planejamento, a logística e a força de trabalho empregadas para que no dia seguinte, milhares de pessoas pudessem espetar seus guarda-sóis para, debaixo de um sol de rachar, tomar suas cervejas, caipirinhas água e refrigerantes, injetando uma enorme quantidade de dinheiro na cidade.
É esse dinheiro que pode ser investido em saúde, educação, transporte e segurança, não aquele que poderia ter sido economizado com a supressão dos fogos! A isso se dá o nome de gestão.
Vivemos alardeando aos quatro ventos que o Brasil com suas belezas e diversidade de ambientes tem a mais pura vocação turística. É verdade! Mas, se não gerirmos essa vocação, oferecendo um mínimo de conforto e tendo um mínimo de respeito que todo visitante merece, esta dádiva de Deus fica estagnada, esperando que o turista nos traga dinheiro e leve em troca medo, insegurança e desconforto.
O turismo bem explorado é a maior fonte de riqueza que um país pode ter. Suplanta todas as outras indústrias porque alimenta todas elas! O turista consome absolutamente tudo! Da caipirinha a eletrodomésticos e até automóveis. Se foi bem tratado, se teve serviços de qualidade, o turista volta! Não importa se a temporada foi de chuva ou de sol! O que importa é que ele se sinta “em casa”, que seja bem tratado e fique feliz.
O exemplo de Guarujá tem que ser seguido! Pois se apesar de tudo, nos lugares onde o turista aparece e não tem nada, ele aparece aos milhares, imagine se a coisa fosse bem feita!
Meus parabéns! Para o Guarujá e seu prefeito que mostrou que sabe enxergar mais longe!
Em tempo: além de agradar aos turistas, deixou extasiado o povo da terra. Precisa mais?

Texto do professor e jornalista José Roberto Martins reproduzido do Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

completar *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>