“Ninguém quer morar num bairro nessas condições”

Jose Aparecido (599 x 600)O líder comunitário, José Aparecido Nascimento, presidente da Confederação das Associações de Moradores de Guarujá (Cemag) informa que está fazendo um trabalho junto às lideranças comunitárias de diversos bairros da cidade com o objetivo de discutir as demandas de cada um deles e saber como estão vendo este novo momento político que Guarujá está vivendo. Em relação ao bairro da Vila Zilda, explica que a população aguarda com grande expectativa o início dos trabalhos da nova gestão tendo em vista as inúmeras obras que estavam acontecendo no bairro e estão paralisadas: “Uma questão séria e grave é a situação da Avenida Brasil, que atualmente se chama Avenida Raphael Vitiello e que a população está inconformada devido ao transporte coletivo não fazer o itinerário até o final do percurso por conta do grande número de buracos na via. A gente fica chateado porque sabe que foram viabilizados os recursos por parte da empresa responsável pelo saneamento básico e a obra foi paralisada faltando pouco para ser concluída, mas esse pouco que falta piorou a situação porque para refazer o leito carroçável da avenida tem que completar a obra. Por outro lado, a Terracom iniciou o trabalho no ano passado com verbas do Estado, do Dade, dinheiro garantido, verbas carimbadas e, sem maiores explicações, a empresa saiu. A nossa situação é tão precária que hoje eu não saberia dizer qual é a prioridade do bairro. Temos um grande número de pontos de alagamento, Na Educação temos grande demanda de vagas de pré-escola e de creches. Penso que o prefeito precisaria ter um entendimento com a população no sentido de chamar as lideranças, ouvir as demandas em audiências públicas com a participação dos vereadores e da população e esclarecer que o poder público não tem pernas para resolver todos os problemas da nossa cidade sem o apoio de parcerias com a iniciativa privada, senão a gente não consegue avançar”.
Carlos copy (600 x 600)Carlos é morador da Vila Zilda há 35 anos e afirma que nunca viu o bairro desse jeito: “Uma buraqueira que não se pode nem sair pra comprar pão na padaria. Olha a situação que está aqui, o dia todo é esse cheiro de esgoto. Arrumaram o cano há 20 dias e continua a mesma coisa, pra sair de casa tem que sair de bota, a gente paga imposto, e o imposto esse ano veio envenenado. Acredito que o prefeito tem que cumprir o que prometeu, voltar aqui e olhar para isso. Ele e o vereador Peitola garantiram para nós que dariam um jeito na rua, mas até agora nada e continuamos desse jeito. Cada dia que passa pior está ficando.Tem gente bebendo água misturada com esgoto. Eu queria que olhassem pela gente que paga caro pelo imposto”.
Hidelbrando copy (600 x 599)Hidelbrando mora no bairro há 18 anos e trabalha com carreto. Para ele a situação está péssima pra todos que precisam se locomover de ônibus, de bicicleta ou de carro, “minha perua está quebrada, está na oficina. O prefeito é meu médico e quando ele esteve aqui, antes da eleição, eu falei para ele cuidar daqui. Até agora nada, vamos ver se mais para frente ele dá um grau aqui. Tá cheio de lixo, situação caótica. Faz anos que estamos precisando demais disso. Mas eu acredito que ele ainda vai fazer alguma coisa aqui, se não a casa cai”.
Encontramos com dona Marina Rodrigues, moradora da Cachoeira, mas que usa o postinho de Saúde da Vila Zilda, enquanto ela aguardava para marcar consulta com um pediatra e pegar encaminhamento para consulta com um cardiologista: “Disseram para eu vir na sexta-feira para ver se consigo passar num clínico geral, se não, só tem vaga para abril. Tive um princípio de infarto no início de janeiro, eu me sinto revoltada por não ter médico. O prefeito precisa dar um jeito na situação em que está o Guarujá, não falo só dos postinhos, mas olha como as avenidas estão.

 

Natacha copy (600 x 600)A Rua do Caranguejo que vive alagada, não dá para passar. Ele tem que dar um jeito nessa situação”.
Sobre este assunto conversamos com Natacha, a responsável pelo posto Saúde que atende os moradores da região, que confirmou a espera para a marcação de consultas por conta da falta de médicos: “A equipe da Cachoeira deveria ser maior. A demanda é muito grande pelo número de moradores que a gente tem. São 21 mil habitantes atendidos por duas equipes de médicos. Na verdade, o bairro precisava de um posto novo, nossa infraestrutura é muito precária, existe uma área grande dos lados que não é usada e acaba crescendo mato e atraindo cobras. Tem também esgoto a céu aberto nessa parte da frente que não é pavimentada. O que a gente precisa é do mínimo possível de condições dignas para o atendimento da população. A gente espera que com a nova administração essa condição melhore porque hoje o máximo que a pode fazer, está sendo feito.
Vitória copy (600 x 600)Vitória morada da Vila Edna, reclama de uma obra abandonada onde, provavelmente, seria instalada uma creche: “Há uns três anos que começaram essa obra e nunca terminaram, abandonaram desde a época da secretária de Educação Priscilla Bonini. Ela já foi totalmente saqueada, arrancaram tudo quando só faltava fazer a parte de cima. Uma creche aqui no bairro seria muito necessária, pois não conseguimos vagas, para muitas mães que precisam trabalhar porque só tem uma creche. Para a gente que mora aqui a situação está terrível, é uma pouca vergonha, muito lixo, esgoto entupido, mau cheiro, quando chove é uma calamidade. Eu apelo ao prefeito para que olhe um pouco pra cá e faça melhorias, o bairro está completamente abandonado, muitas pessoas evitam andar aqui, ninguém quer morar num bairro nessas condições.

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