O arranhão do carro de luxo e o não aumento dos salários dos ministros do STF: simbolismo

*Dr. Welinton Andrade Silva

Foi pauta nacional e até internacional o caso de um jovem que, tendo arranhado um carro de luxo em Florianópolis, deixou um bilhete no veículo com seu telefone e pedido de desculpas.
O jovem fez o correto. Entretanto, na atualidade, fazer o certo acaba sendo diferente. Vira notícia. O gesto ou atitude do jovem é positivo. Mais que isso: é simbólico.
Também nesta semana assistimos a outro fato inusitado em um país visto, dentro e fora dele, como não sério: A mais alta Corte do país não aumentou os próprios salários.
Sim o STF – Supremo Tribunal Federal – por 8 votos a 3, aprovou seu orçamento para 2018 sem previsão de aumento salarial. Atualmente os ministros recebem mais de R$ 33 mil.
Para a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, a decisão de não aumentar os salários obedece às regras da emenda constitucional que estabeleceu o teto para os gastos públicos.
Mas o não aumento nos salários dos ministros do STF é muito mais que isso: é simbólico. Sim, demonstra que nós, cidadãos comuns, podemos ter esperança sobre a existência de autoridades com coerência, humanismo e racionalidade.
Aos que não sabem, o salário dos ministros do STF é o teto do salário do servidor público e serve como base para os outros poderes. Em outras palavras, aumentando os vencimentos dos ministros, aconteceria um natural aumento de salários em cascata e, convenhamos, não é isso que o país precisa na difícil fase que atravessa.
Ao não conceder aumento aos próprios salários, os ministros simbolizaram e demonstraram, além de bom senso, patriotismo, ética e solidariedade com o povo brasileiro que vive no mundo real do salário mínimo, da falta de médicos, de remédios, de segurança, de moradia, de desemprego…
Na sessão administrativa do Supremo, oito ministros consideraram que, em razão do momento de ajuste fiscal, não é possível incluir aumento na previsão orçamentária de 2018. São eles: Cármen Lúcia, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Rosa Weber, Luis Roberto Barroso, Luiz Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
Três ministros consideraram que a proposta orçamentária deveria incluir o aumento: Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux.
Para o cidadão comum as atitudes do jovem de Florianópolis e dos ministros do STF são bem recebidas e sinalizam que nem tudo está perdido no Brasil.
Há esperança, mas precisamos de mais jovens como o que errou e deixou bilhete com telefone se desculpando, e autoridades como os oito ministros que foram contrários ao aumento dos próprios salários. É uma tarefa difícil, entretanto, é necessário ter esperança. Até porque, a outra opção seria desistir do Brasil.
São casos ainda pontuais, mas importantes para a reflexão de todos nós.

*O advogado Welinton Andrade Silva é jornalista, formado em direito,

administração de empresas, Rádio e TV e agrimensura.

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