O resgate da imagem

Dia 15 de janeiro, Guarujá comemora o dia do seu padroeiro, Santo Amaro, que também dá nome à ilha onde a cidade está situada.
Há poucos registros sobre a vida do santo, mas sabe-se que seu nome original era Mauro e que foi discípulo de São Bento, o padroeiro da Europa e viveu no período final do Império Romano, nos anos 500, e se tornou célebre na história da ascética cristã pela incondicional obediência a Deus.
Em Guarujá, a primeira manifestação religiosa em louvor a Santo Amaro aconteceu em 1545, dois anos após o batismo da ilha, quando o comerciante português José Adorno mandou construir uma capela para o santo. Apesar de não haver qualquer vestígio desse templo, acredita-se que ele teria sido erguido na localidade hoje conhecida como Santa Cruz dos Navegantes.
Durante cerca de 300 anos a devoção a Santo Amaro deu-lhe a condição de padroeiro da ilha.
Consta que em 1939 um incêndio destruiu totalmente a pequena capela construída para o santo, na esquina das avenidas Puglisi e Leomil.
Houve tempo para que todos os fiéis saíssem do local sem risco. Porém, um deles, o munícipe Atílio Gelsomini, ficou inconformado com a possibilidade de a centenária imagem de Santo Amaro ser consumida pelas chamas e, sem medir as consequências de sua atitude, ingressou no templo e resgatou a peça sacra intacta.
Além do ato heroico, os moradores da época perceberam sinais de um milagre naquela ocorrência. Isso porque, conforme o relato de Atílio, quando ele entrou no templo estava tudo destruído ao redor da imagem. Entretanto, não havia qualquer vestígio de fumaça na peça sacra.
Após o ocorrido, a imagem, então considerada milagreira, ficou sem um lugar para a entronização, chegando a ser exposta no chalé nº 29, que deu origem à urbanização da Cidade, até a construção da Igreja Matriz, para onde foi levada e onde permanece até hoje.
Por analogia, o que se espera do prefeito Válter Suman e sua equipe é que inspirados pelo gesto audaz de Gelsomini, resgatem a imagem da cidade, chamuscada por sucessivas gestões, se não por incompetência e má fé administrativa, por falta de zelo e amor pela nossa ilha.
Ao iniciar este segundo ano de mandato, tudo indica que caminhamos nesse sentido. Os primeiros sinais de recuperação são evidentes e alvissareiros, mesmo que ainda tímidos, face ao volume de trabalho que a prefeitura tem pela frente nos próximos anos.

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