Obrigado, caminhoneiros

Deixei passar o feriado de Corpus Christi para analisar a greve dos caminhoneiros. Quis trabalhar com a razão, em detrimento da emoção. Quando esta se sobrepõe, a análise do fato resulta incompleta.
Com o fim da greve dessa categoria extremamente importante na nossa sociedade (agora está bem mais clara essa importância), o que de fato melhorou para os caminhoneiros autônomos?
Eles questionaram de forma acachapante o preço astronômico do óleo diesel, os pedágios caros e injustos de eixos, os baixos fretes e multas de trânsito várias vezes ilegais.
Pelo visto, o único benefício ganho de maneira concreta é a não cobrança de pedágios sobre os eixos levantados. Então, por que, mesmo com poucos resultados positivos, agradeço aos caminhoneiros?
Primeiro porque eles comprovaram o que tenho dito com frequência sobre a imprensa, compromissada com o sistema financeiro internacional e não com os 88% da população que aplaudiram o movimento.
Nenhum canal de televisão, emissora de rádio ou jornalão apoiou a greve nacional. Porta-voz também da elite econômica brasileira, a mídia deixou claro não estar preocupada com o povo.
Em segundo lugar, ficou também claro que o governo federal, combinado com a imprensa monopolista, está apenas interessado em aumentar os lucros dos acionistas estrangeiros da Petrobras.
A metodologia defendida e aplicada pelo governo, para calcular os aumentos de combustíveis, provou isso. Até o presidente do congresso afirmou que “o governo está preocupado somente com os acionistas”.
Os preços do óleo diesel, da gasolina, do etanol e do gás de cozinha são absurdos. E a população não aceita os aumentos conforme as oscilações do dólar e do valor internacional do barril de petróleo.
Por fim, um dos efeitos da greve foi a substituição do presidente da Petrobras. Abriu-se uma porta para o referendo revogatório que a transformará novamente em uma empresa plenamente estatal.
Apesar de um segmento minoritário dos caminhoneiros defender a intervenção militar, a maior parte do povo acredita que a única solução para as nossas mazelas é o fortalecimento da democracia.

Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindserv Guarujá

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