Olimpíada e Copa do Mundo no Brasil: “Pão e Circo” para a população

Há menos de dez anos, quando foram anunciadas as realizações da Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, me posicionei contrariamente. Sou favorável ao esporte. Sou contra o esporte ser usado como motivação ou causa, para ter como efeito e resultado o desvio de dinheiro público, a roubalheira.
Posicionei-me neste mesmo espaço, bem como nas redes sociais e no nosso programa de televisão de forma clara: contra.
Mais que isso, escrevemos e alertamos que os referidos eventos, por precisarem de infraestrutura, seriam usados pelas estatais, empreiteiras e classe política para desvio de dinheiro público.
Lembro-me de também ter alertado que as obras seriam postergadas de forma proposital para serem feitas sem licitação e no afogadilho.
Bem antes dos 7×1 da Alemanha contra o Brasil nos posicionamos de forma clara, alertando que um país que não possui saúde pública, boa educação, saneamento, habitação, segurança… não pode pensar em gastar dinheiro com grandes eventos.
Sabemos que o pessoal ligado ao turismo fica chateado com o nosso posicionamento. Mas é a realidade. O país precisa hoje melhorar a saúde pública, a educação, criar empregos… Até porque, quem tem fome, tem pressa. Não poderíamos, portanto, jamais, termos entrado na barca furada de sediar Copa do Mundo e Olimpíada.
Ocorre que em 2009, o país parecia estar bombando. Ai, o presidente de plantão imaginou: vamos dar alegria para a população, todos se sentirão importantes, permaneceremos no poder e continuaremos dando pão e circo para eles. Eles no caso, somos nós.
Mas “tinha uma pedra no caminho”. Uma das “pedras” foi a economia. O governo não fez a lição de casa. Seguiram-se outras pedras, especialmente vinculadas à corrupção institucionalizada no país. Veio o “Mensalão” a “Lava Jato” e o “Petrolão”.
Agora em 2016 sabemos que gente ligada ao governo federal, que no anúncio dos eventos ocupava cargos de destaque, inclusive ministérios, nas datas das realizações dos eventos estava ou continua na cadeia, preso. Tudo em menos de dez anos.
Passado o vexame dos 7×1 para a Alemanha, assistimos agora a atletas brasileiros que choram. Alguns poucos porque ganharam medalhas, e a maioria por derrotas nas competições.
Os que choram pela vitória e derrota possuem razão no choro. Para eles, vencendo ou perdendo, foi uma vitória participar da Olimpíada, especialmente por se superarem por seus próprios méritos para defender uma pátria com honra duvidosa.
Casos de vitórias e derrotas são, quase sem exceção, histórias de superação pessoal e esforço dos próprios atletas, visto que o governo pouco apoia o esporte.
Portanto, é por tudo isso que fui, sou e serei contra a Copa do Mundo e a Olimpíada no Brasil. Das coisas importantes que precisamos, as menos importantes são os referidos eventos, especialmente para a população que não possui saúde pública, educação, segurança… a contento.
Um país que possui uma classe política que, literalmente, rouba o futuro de todos nós não possui o direito de continuar oferecendo apenas pão e circo.

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