Os desafios do novo presidente

No início da noite do último domingo, 28, as urnas apontam o vencedor de uma das mais polarizadas disputas das últimas eleições. O capitão da reserva, Jair Bolsonaro, foi o escolhido pelos eleitores para para conduzir os destinos nacionais nos próximos quatro anos. A missão não será fácil. Ele recebe um país dividido ideologicamente e este será o primeiro desafio a enfrentar, unir a sociedade brasileira. Ao vestir a faixa presidencial, Bolsonaro assume o compromisso de governar para todos os brasileiros, independentemente de cor, sexo, religião, partido. Moderar posições políticas constitui um dos enunciados da democracia. Os grandes embates que tem pela frente exigem a participação de todos. No Legislativo, são atualmente 30 partidos, nenhum com 11% da Câmara. Aprovar as indispensáveis reformas, principalmente a da Previdência, para pôr a economia nos trilhos, reconquistar a confiança dos mercados e atrair investimentos exigirá habilidade nas negociação, em que jogos de interesses sejam ponderados para o bem do país. O presidente precisa aproveitar o capital político conquistado nas urnas para aprovar as medidas que já vêm com décadas de atraso. Adiar iniciativas condenará o país a afundar na crise cuja face mais cruel são quase 13 milhões de desempregados, renda em queda, empresas falidas, infraestrutura sucateada, saúde doente, educação caduca, meio ambiente carente de avanços, segurança sucateada e produtividade em baixa, ocupamos o 50º lugar entre 68 países, neste quesito. A indústria carece de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. A participação do Brasil no mapa da produção industrial mundial, em sete anos, amargou redução de 2,9% para 2% do Produto Industrial global. Com a reduzida capacidade de produção doméstica de bens de ponta de consumo mundial, distancia-se a perspectiva de criação de empregos de qualidade e cresce o risco de aumento da dependência externa. Há que promover mudança estrutural no desgastado modelo protecionista e investir em avanços tecnológicos. O novo presidente herda legado que tem de ser administrado com lucidez e competência. A meta de deficit fiscal para 2019 é de, nada menos, que 139 bilhões. Por seu lado, recebe o país com inflação estabilizada e os juros mais baixos da história. Chegou a hora de dizer a que veio. Durante a campanha, nenhum dos candidatos apresentou programa consistente. Um olhar para nossa vizinha Argentina ensina lições. Mauricio Macri, eleito para devolver a prosperidade à nação platina, preferiu inciativas paliativas a medidas profundas para corrigir os rumos da economia. Resultado: a inflação bateu em 45%, o peso perdeu 50% do valor, os alimentos subiram 30%, a pobreza aumentou. Perigo semelhante ronda o Brasil caso Bolsonaro adie medidas amargas a fim de prolongar a lua de mel que os mais de 57 milhões de votos lhe asseguram.

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