“Parece o terceiro mandato da Antonieta”

antonieta-suman-corte_pág. 03 (600 x 523)“Devia ter votado no Benzi, pelo menos ele prometeu que resolvia os problemas da cidade em 100 dias”, a crítica bem humorada é do zelador Geraldo Menezes quando nossa reportagem perguntou o que ele estava achando dos primeiros meses da administração Válter Suman. O zelador se referia a uma entrevista publicada neste jornal com o então candidato tucano a prefeitura de Guarujá. “Fico com vergonha quando famílias de fora alugam apartamento no prédio e reclamam que as praias e as avenidas estão escuras ou perguntam onde é a delegacia porque foram assaltadas. Para mim não mudou nada. O prefeito até agora não fez nada”, observa Geraldo. Sem segurança “Votei no médico porque me pareceu o candidato mais preparado para prefeito, mas pelo jeito está indo no mesmo caminho da prefeita anterior que foi um desastre para a cidade”, a afirmação é do engenheiro mecânico Douglas Blat, proprietário de um apartamento na praia das Astúrias. “Moro no Guarujá há mais de 20 anos e nunca vi essa situação. Não se pode ir na praia sem ser incomodado por mendigos e ambulantes. Tem que ficar escolhendo lugar para montar o guarda-sol. De um lado é gente mal educada com som alto e do outro é esgoto saindo na praia. Nem sair a noite a pé para tomar um sorvete a gente pode mais. Corre o risco de ser assaltado”, desabafa o veranista. Sem médicos “Moço, eu pensei que pelo menos a Saúde ia melhorar. Já tava bom demais se tivesse pediatra. Meu neto é doentinho e a gente sempre tem que correr com ele pro pronto-socorro porque no postinho não tem médico. Chega no PAM o atendimento é muito demorado, às vezes a gente perde o dia todo. Nem papel higiênico tem, a gente leva de casa”, o depoimento sofrido é de dona Maria Aparecida, moradora no bairro Monteiro da Cruz e não difere muito dos de outros munícipes que ouvimos em relação ao atendimento na rede pública de Saúde. Sem zeladoria “Sou vendedor autônomo, sei que a crise está braba, mas além de vender menos ainda tenho que gastar dinheiro para arrumar meu carro por causa dos buracos. Pelo menos nesse começo de mandato o prefeito podia ter dado um tapa nas ruas, cuidar do basicão, da zeladoria da cidade, mas nem isso. Votei nele e estou arrependido como muita gente. Só quem está gostando é quem tem oficina de suspensão e loja de amortecedor”, diz Odilon Breda, morador do Santo Antonio. Sem aprovação Estes três depoimentos, entre muitos colhidos por nossa reportagem, ilustram bem a opinião dos moradores de Guarujá e Vicente de Carvalho sobre os primeiros cem dias da administração de Válter Suman (PSB) e comprovam a baixíssima aprovação do médico, mesmo entre os seus eleitores. A frase mais ouvida dos entrevistados foi que o governo atual não difere em nada da gestão da ex-prefeita Maria Antonieta de Brito e um dos entrevistados chegou a dizer que a atual administração parece um terceiro mandato da Antonieta. Sem uniformes Além das críticas à Saúde, à zeladoria e à iluminação da cidade, também foram recorrentes as criticas a Educação, principalmente de mães de alunos que não receberam os uniformes escolares, conforme prometido durante a campanha. Sem transportes Outra crítica bastante comum foi em relação ao transporte público. “A Translitoral continua mandando e desmandando na cidade e pelo jeito vai continuar assim”, disse um dos munícipes ouvidos pela reportagem referindo-se aos ônibus velhos, sem manutenção, sem climatização e aos constantes atrasos que os usuários são obrigados a enfrentar todos os dias. Sem gasolina Funcionários públicos, também ouvidos, reclamam da falta de condições de trabalho, equipamentos e até de falta de combustível para os veículos da frota municipal. Sem dinheiro Em suas entrevistas e vídeos nas redes sociais, o prefeito Válter Suman usa sempre o mesmo discurso mofado de culpar as dívidas deixadas pela administração anterior e a crise que o país atravessa para justificar o estado de abandono em que se encontra a cidade. Não é isso que se esperava de um candidato que se propôs a administrar uma cidade com mais de 300 mil habitantes e deveria estar ciente da crise na economia nacional e que teve um período de transição para avaliar as contas da gestão que antecedeu a sua. Sem economia Espera-se de um bom administrador, se não tem criatividade para suprir a falta de recursos, como vem fazendo o prefeito de São Paulo, João Dória, que pelo menos cumpra as suas promessas de campanha no que diz respeito à redução de custos da máquina administrativa. Suman, em diversas oportunidades criticou o número excessivo de funcionários comissionados de Antonieta. Esperava-se um corte drástico nos chamados cargos de confiança, mas nem a função de secretários adjuntos foi extinta como prometido. Hoje são 19 secretários adjuntos que consomem dos cofres municipais cerca de R$ 3 milhões por ano só em valores nominais. Cada um recebe R$ 13.100,00 por mês. Extintos, a economia em quatro anos seria superior a R$ 12 milhões. Suficiente para suprir as despesas mais emergenciais, principalmente nas áreas que mais afligem a população, como Saúde e Educação.

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