Pastor usa “ato religioso” para vender veículo de luxo

Pag. 03_Carro_Pastor_facebook (401 x 600)O assunto movimentou as redes sociais durante a semana em acaloradas discussões depois da postagem de um vídeo onde o pastor Gustavo Reis, da Igreja Luz, reclamava da ação de fiscais da prefeitura, Força Tarefa e Polícia Militar por estarem impedindo um “culto” na Praia de Pernambuco durante o Carnaval. O pastor chegou a citar que seu direito estava garantido pela Constituição Federal.
Na verdade, o pastor teve equipamentos de som apreendidos depois que ficou constatado que ele forjou o evento evangélico para lançar e vender uma réplica de um carro de luxo.
O evento, considerado ilegal pela administração municipal, ocorreu na Rua das Acácias, em frente à praia, área onde localizam-se imóveis de alto padrão e que reúne turistas frequentemente. Ele montou uma tenda, pendurou cartazes e posicionou o automóvel em frente.

Sem autorização
A Secretaria de Cultura da cidade, entretanto, não autorizou a realização do evento, por entender que não se tratava de uma ação de cunho religioso. Mesmo assim, uma força-tarefa montada pela prefeitura, com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, monitorou a divulgação da atividade nas redes sociais.
No dia e local anunciados na sua página do Facebook, o pastor montou e realizou o evento. A equipe da fiscalização foi ao local pela manhã e o intimou a desmontar a estrutura. “Entretanto, como insistiu, mesmo sendo notificado a não fazer, a prefeitura apreendeu os equipamentos à tarde”, afirmou a administração em nota oficial.
No entendimento da equipe de fiscalização, o pastor forjou uma ação religiosa para promover o lançamento e a venda da réplica de um veículo conversível de alto padrão. Ao desobedecer a ordem que o proibia de realizá-lo e, depois, de desmontá-lo, a força-tarefa decidiu apreender os materiais que foram expostos.

Culpa do Diabo
Após o entrevero, o pastor Gustavo Reis publicou um vídeo de quase 20 minutos em uma rede social se defendendo. “A culpa não é de um indivíduo, é de um sistema, da falta de comunicação. E isso o Anticristo, o Satanás utiliza de todas as maneiras para colocar as pessoas umas contra as outras”, justificou.
Segundo o pastor, o evento “seria uma benção às pessoas”. “Distribuimos livros de graça. A nossa intenção era levar os livros. Quanto mais vidas nós pudermos atingir, melhor”, explicou em outro trecho. A publicação, escrita por ele, também era anunciada no material de divulgação espalhado antes da ação.

Pousada ou igreja?
Por meio de comunicado, a Prefeitura de Guarujá ainda informou que vai abrir uma investigação interna a fim de averiguar se está ocorrendo infração fiscal em um imóvel utilizado pelo pastor como pousada. A suspeita é de que o imóvel esteja isento de IPTU e outras taxas municipais por ser uma igreja evangélica.
Anteriormente ao evento de lançamento do carro, a força-tarefa da administração municipal esteve no imóvel após a Ouvidoria receber “inúmeras reclamações de vizinhos devido a perturbação de sossego público”. Na ocasião, foi constatado um evento com som, e o pastor foi orientado a não realizar novas ações do tipo.

Mal interpretado
O pastor Gustavo Reis afirmou ainda que o evento que ele promoveu foi “mal interpretado” pelas autoridades. “Não houve venda de carro nenhum. Aquele carro era de exposição, é um boneco, justamente para chamar a atenção das pessoas para o evangelho que estávamos pregando”, afirmou.
O pastor admitiu ser responsável pela venda e produção do veículo, e lamentou a atitude da prefeitura em não autorizar a realização da ação de cunho religioso. Sobre a pousada que mantém, ele explicou que são dois terrenos, divididos por um muro, mas para a área paga somente um IPTU. “A pousada não tem nada a ver com a igreja. Cada um tem o seu CNPJ”, disse.

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