Síndrome de Down e preconceito

“Eu ensino muitas coisas às crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito às outras. Aceitem as diferenças de cada uma. Ajudem a quem precisa mais... O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. Quem discrimina é criminoso!”. Este é um trecho da carta de próprio punho que a professora Débora Araújo Seabra de Moura, portadora de sindrome de Down, escreveu em resposta aos comentário da desembargadora Marília Castro Neves Vieira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que em um grupo fechado do Facebook debochou de pessoas com síndrome de Down. A postagem infeliz da desembargadora foi duramente criticada na imprensa e nas redes sociais. A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down divulgou uma “Carta Aberta de Repúdio” às declarações e o procurador regional da República, Wellington Cabral Saraiva, mestre em Direito pela UnB, escreveu numa rede social: “A desembargadora Marília Castro Neves, em comentário de extrema desumanidade, desrespeito e desconhecimento da lei (em particular do Estatuto da Pessoa com Deficiência [EPD] – Lei 13.146, de 6/7/2015), fez publicação menosprezando a Professora Débora Seabra de Moura, por ela ter síndrome de Down e exercer essa profissão. Além da falta de empatia e de respeito, a desembargadora ignora que o EPD busca promover a máxima inclusão social, econômica e profissional das pessoas com deficiência”. Por coincidência, a polêmica aconteceu na mesma semana em que celebra-se em todo o mundo, o Dia Internacional da Síndrome de Down (21 de março), data criada para dar voz e visibilidade às pessoas que nasceram com a síndrome e defender o direito delas à inclusão, combatendo a ignorância e a discriminação. A síndrome de Down é uma ocorrência genética natural e universal, presente em todas as etnias e classes sociais. Pessoas com a síndrome têm rompido muitas barreiras e apresentado grandes avanços. Em todo o mundo, e também no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e chegando à universidade. Infelizmente, a ignorância também é universal, presente em todas as etnias e classes sociais.

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