Só denúncias da população poderão evitar que tenhamos nas câmaras do país, vereadores que se elegem comprando votos

Quando das reformas legais que mexeram sensivelmente com a condução e operacionalização das eleições na sua prática do dia a dia, escrevemos e falamos como seriam os problemas por ela gerados.
Toda mudança é repelida no seu início. Isso é natural, por todos estarem acostumados e adaptados às normas vigentes anteriores.
Quando o leitor estiver lendo esse artigo, faltarão apenas oito dias para o pleito. Isso mesmo, uma semana para uma das eleições mais importantes do país, que elege os representantes das cidades onde todos nós moramos. Afinal, nós cidadãos não moramos no Estado, nem na União, moramos nos municípios.
Da forma como estava antes, realmente, algo tinha que ser mudado. Grandes empresas e empreiteiras faziam e desfaziam e elegiam quem bem entendiam. O sistema acabou por gerar o “Petrolão”, maior escândalo da história do país.
Entretanto, não dá para sair de um sistema onde tudo podia, para entra num em que nada pode.
Na presente campanha, não pode receber dinheiro da iniciativa privada, a imprensa não pode elogiar nem criticar candidatos, não pode envelopar carros, não pode placa, cavalete. Os adesivos, faixas e bandeiras possuem limite de tamanho. Ou seja, não pode nada.
Se não pode nada, como o eleitor vai saber sobre as propostas dos seus candidatos? Na Internet, entrevistas de TV e jornais. É muito pouco para um país que se diz democrático.
A legislação mudou para evitar distorções e favorecimentos que antes só possuíam os que tinham relação de amizade com empresários e os donos do poder municipal, estadual e de Brasília.
Entretanto, agora, do jeito que está, só ficou bom para candidatos muito ricos ou que possuam amigos muito ricos que possam doar até um limite legal estipulado para suas campanhas, além dos que admitam correr o risco de aceitar dinheiro por fora, de forma ilegal, no já conhecido caixa dois.
Geralmente, as empresas doadoras nas eleições municipais em todo o país são empresas de transporte público (coletivo), empreiteiras médias e empresas de lixo.
O resultado da legislação atual, já escrevi e repito, será uma das eleições com o maior número de compra de votos da história do país.
Em dois de outubro, o dinheiro vai rolar solto. Todos sabem que a boca de urna é proibida, entretanto, pelo que observamos no mercado negro, cada voto está custando cerca de R$ 100,00. A Justiça Eleitoral, como sempre, parece que não terá como fiscalizar e punir os infratores, salvo se a população filmar, gravar e fotografar a compra de votos.
Caso contrário, continuaremos a assistir a candidatos que compram votos assumindo cadeiras nas câmaras de forma ilegítima, para representar interesses próprios e não coletivos.
Só com provas e denúncias da população será possível reverter esse terrível quadro político que elege gente corrupta e sem compromisso com a população e a coisa pública.

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