Um grão de areia contra o monopólio das comunicações

A Emenda Constitucional 26-2000, os artigos 5, 7 e 28 da Constituição Cidadã de 1988 e a Declaração universal dos Direitos Humanos falam sobre direitos do cidadão e da cidadã brasileira, em especial o da moradia.
Mesmo com toda essa base legal, temos uma grande quantidade de famílias sem sua moradia digna, pessoas que não conhecem o prazer de um lar em condições mínimas de sobrevivência.
A questão da falta de moradia veio para evidência neste momento em razão da queda do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo.
O prédio era habitado por pessoas vitimadas pela falta de políticas públicas voltadas à solução desse grave problema social e nacional, mesmo com toda a legislação citada. O fato demonstra a omissão do Estado.
Em vez de encarar a tragédia para discutir saídas e solucionar ou amenizar o problema, a mídia tradicional e as redes sociais atacam organizações que desenvolvem trabalhos no setor.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e seus simpatizantes, por exemplo, viraram os culpados pelo acontecimento, de acordo com a ótica absurda da imprensa e muito militantes reacionários de internet.
A classe média brasileira, que não pensa como classe média, mas apenas reproduz os pensamentos da classe dominante, apoia a mídia que não representa e não se preocupa com os desfavorecidos.
A mesma classe média que deveria cobrar dos órgãos públicos ações para diminuir a falta de moradia no Brasil utiliza a versão da mídia e a reproduz, de maneira tosca, nos ‘zaps’ e ‘faces’ que tudo aceitam.
Tento, humilde e semanalmente, mesmo sabendo ser um grão de areia no gigante deserto do monopólio midiático, trazer outros enfoques sobre os problemas sociais.
Estou indignado com a visão da imprensa sobre o edifício que caiu. Ela não tem o mínimo interesse numa discussão séria a respeito desse grande problema social.
O problema da falta de moradias não interessa à mídia. Quem a financia quer a situação de miséria absoluta, pois a população oprimida tem menos chances de se organizar e mobilizar.
Sem organização e mobilização, os pobres não têm como refletir e buscar caminhos para sair do caos. Estão sempre preocupados com a sobrevivência diária, sem tempo e condições de lutar por justiça social.

 

Zoel Garcia Siqueira é professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindserv Guarujá

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