Paralisação prejudica 28 mil usuários que fazem a travessia diariamente

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O serviço de travessia de barcas entre Santos e Vicente de Carvalho entrou em colapso. Em menos de 24 horas, entre quarta (24) e quinta-feira (25), as operações foram suspensas três vezes. Só uma lancha restou, e os passageiros sofreram: ou encaravam filas imensas ou desistiam e procuravam as catraias.
Na quinta-feira (25) o serviço ficou paralisado desde a madrugada até as 07h da manhã causando grandes transtornos para quem utiliza os serviços. Usuários relataram espera aproximada de uma hora para realizar a travessia que era realizada apenas com a lancha Itapema, que tem capacidade de transporte de 185 passageiros, muito inferior aos 730 passageiros da barca Pae-Cará, que foi interditada pela Capitania dos Portos devido às suas condições.
Para se ter uma ideia da atual redução de capacidade, quando o serviço de travessias opera normalmente a capacidade de travessia é aproximadamente 1.360 passageiros por hora. Quem não quiser enfrentar a fila de ao menos 40 minutos, registrada na manhã desta quinta, pode utilizar como alternativas a travessia de catraias que sai de Vicente de Carvalho e chega no bairro do Macuco, em Santos, ou as barcas que realizam o trajeto do Ferry Boat à Ponta da Praia em Santos.

Alternativa
Os catraieiros que costumam disponibilizar 20 embarcações diárias tiveram que dobrar o número de barcas para suprir a demanda e ainda deixar 20 de emergência. Muitos trabalhadores e trabalhadoras perderam horário e se arriscaram dentro da única embarcação que a Dersa colocou à disposição no meio da manhã. Muitos ciclistas tiveram que subir nas barcas com suas bicicletas nos braços.
O caos levou o diretor presidente da Dersa, Milton Roberto Persoli, a descer a Serra nesta quinta-feira à tarde para tentar explicar a situação. Ele disse que, “por volta das 18h”, duas embarcações paradas, Paicará e LS-05, voltariam à ativa. Porém, isso não ocorreu.
Com apenas a lancha Itapema I em operação desde quarta-feira à tarde, as estações viraram palco de filas e bate-boca de usuários com os funcionários.
A atendente de telemarketing Marcela Silva, de 33 anos, praticamente caiu da cama para enfrentar, desde as 6h, a fila no lado de Vicente de Carvalho. Só chegou a Santos às 8h30, seguindo às pressas para o trabalho, no Centro.
“É um descaso total coma população. Uma embarcação só? Como pode? A gente paga por esse serviço, não é favor”.

Fechado
Em determinado momento na manhã de quinta (25), a bilheteria do lado de Vicente de Carvalho simplesmente fechou. “Quem não tinha cartão, não conseguia nem chegar nas barcas”, contou o atendente de telemarketing Robson Milheiro, de 57 anos.
Outra revoltada era a gerente comercial Eloina Cantão Rodrigues, de 42 anos, que estava no lado de Santos e tentava ir para o trabalho, na Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho.
“Faço essa travessia há oito anos e nunca fomos tratados assim. É o caos do caos. Quarta-feira, saí do trabalho às 17h e esperei das 18h às 19h40 para pegar a barca”.
Em nota, a Dersa disse que “as equipes mecânicas foram reforçadas e trabalham de forma integral para solucionar os problemas” das barcas. Porém,“as manutenções são complexas e demandaram mais tempo que o previsto”. Não há prazo para que Paicará e LS-05 voltem às operações.
Mais cedo, o diretor-presidente Milton Persoli explicou que a Paicará foi interditada pela Capitania dos Portos porque as portas automatizadas não estavam perfeitas e o guincho da âncora teve problemas.
Já a LS-05 parou por causa de um problema mecânico: leme e eixo não estariam adequados e exigiriam solda. “Não temos embarcação reserva e não dá para fazer manutenção preventiva. O máximo que consegui de janeiro pra cá foi fazer manutenções o tempo todo, inclusive fins de semana”.
Para ele, a solução de curto prazo é resolver os problemas mecânicos. Já em médio prazo, consertar as três lanchas paradas. E, no futuro, buscar parceria público-privada. O governador João Doria já disse querer extinguir a Dersa. (Via: AT e DL/ Fotos: internet)

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